Saudade

•Março 20, 2009 • 4 comentários

O Blitzkrieg (termo alemão para guerra-relâmpago) foi uma doutrina militar utilizada na segunda guerra mundial  pelos exércitos aéreos de Hitler.  Seus três elementos essenciais eram o efeito surpresa, a rapidez da manobra e a brutalidade dos estragos causados pelo ataque. Durou pouco mais de seis meses. Seis meses.

 Em meados de janeiro do corrente ano eu vinha chegando na casa da minha linda e amada namorada, Camila,  para mais uma vizita casual de sexta-feira. Mochila nas costas, camiseta desbotada no lombo e cabelo despenteado (fruto do atrazo costumeiro na hora de pegar a carona com meu pai) eram características que poderiam me descrever para a polícia se eu acabasse engolido pelo buraco no meu peito que se formou depois de receber a notícia que eu estava prestes a receber. E não demorou muito, ela me chamou no quarto e falou em tom sério: “Tenho que te contar uma coisa”.

Segura aí! Antes um prefácio: Dois meses antes, em novembro, a Cami havia participado de um concurso de beleza com todas aquelas mulheres estressadas e homossexuais escandalosos que se tem direito, e depois de não ganhar nada ela foi chamada por uma agenciadora para ir à capital do estado fazer uns “testes”. Tudo bem, nada alarmante.

Voltando: Então ela olhou nos meus olhos um tanto quanto pensativa, parecia refletir bem antes de proferir qualquer palavra. Disse-me que havia recebido uma proposta de contrato com uma agência de modelos em Porto Alegre e que se ela topasse a proposta, o plano era de enviá-la para trabalhar na China por três meses (não, eu não errei o número lá em cima, espera que tem mais) e depois ela voltaria para o Brasil, ficando aqui por alguns meses, e futuramente seria mandada para Taiwan.

Não pensei em nada.  Isso mesmo, ao contrário do que se imagina, no momento em que você recebe uma notícia dessas seu cérebro não consegue produzir com rapidez a substância responsável pelo sentimento de trevas, amargura e dor. Independente do sentimento que eu sabia que isso viria me causar pela ausência de minha amada, apoiei com todo fervor e encorajei-a ao desafio para que, além de voltar financeiramente melhor, iria tornar-se culturalmente mais rica (uma das minhas paixões nessa vida).

A surpresa desnorteou minha mente naquela semana, quando ir ao trabalho tornava-se um refúgio para os pensamentos “pré-cair-a-ficha”. Então foi a vez da mudança de planos chegar com tamanha rapidez que me senti nocauteado. A agência decidiu que era mais “viável” que a Cami fosse direto da China para Taiwan, sem vir para o Brasil, totalizando assim, seis meses de ausência.  Imagine alguém levando um soco no estômago e curvando-se para amenizar a dor, e enquanto mal consegue puxar o ar para os pulmões, leva um chute no rosto que estava abaixado devido a dor do primeiro golpe.

Seis meses. É o tempo de duração de uma guerra-relâmpago que ocorre dentro de você mesmo, porque depois que você vê o rosto da sua namorada emaranhado de lágrimas acenando no portão de embarque do aeroporto, e você sabe que só voltará a pegar na sua mão daqui meio ano, uma mini-guerra começa a fervilhar todos os pensamentos na sua cabeça com uma brutalidade impiedosa.

Hoje completa um mês que ela está lá, e acho que os jatos bombardeiros de coração não vão dar trégua tão cedo. Graças a todos os deuses da tecnologia, eu nasci na era digital e meus “mísseis anti-aéreos” consistem em vê-la todo dia em conversas de vídeo pelo Skype, bate-papo por Msn e troca-troca de recadinhos pelo orkut.

O meu mini Blitzkrieg perdurará por mais cinco meses, e nessa hora acabo descobrindo valores de amizade que me fortalecem e me ajudam a manter a cabeça erguida para defrontar esse momento ruim. Há excessões, amigos que parecem tentar atrapalhar, ou que simplesmente não percebem que não ajudam em nada me excluindo de suas atividades, mas a esmagadora maioria do meu círculo de amizades faz com que eu consiga me munir e enfrentar cada batalha interna com bravura e coragem.  Se isso fosse realmente uma guerra, a saudade seria o grande “chefão do mal” na história, descobri isso quando analizei a situação e cheguei à conclusão que a mesma irá morrer no final – e eu irei beijar a mocinha, é claro.

Sociedade no púlpito

•Agosto 15, 2008 • 1 Comentário

Olá, meu nome é sociedade e eu vim aqui para fazer uma reclamação.

Sem prolixidade, vou direto ao ponto: Quero reclamar das pessoas que pensam que o mundo gira em torno do umbigo delas, e que acabam colocando a culpa toda de seu fracasso em mim.
Para nos entendermos melhor, deixe-me explicar direitinho. Imagine um indivíduo comum como um lojista que tem uma vitrine para a sociedade. Nessa vitrine há dois manequins: Em um deles, o da direita, está exposto todas as qualidades do indivíduo: Inteligência, beleza, empatia, sabedoria, força… enfim, qualquer qualidade relativamente perceptível. No outro manequim, o da esquerda, temos expostos todos os defeitos do tal indivíduo.  O indivíduo é o dono da loja, e vê o mundo de dentro da mesma pela vidraça da sua vitrine. Quem vê essa vitrine são as pessoas, os outros, enfim, eu, a sociedade. Até aí tudo bem, o problema vem agora.

Alguns lojistas pegam um enorme pano preto e colocam entre eles e o manequim dos defeitos, ocultando-o da sua visão. Nesse pano preto eles escrevem bem grande a palavra “VIRTUDES” e sendo assim, acabam vendo os manequins de uma forma diferente da qual a sociedade os vê.
Essas pessoas cruzam os braços orgulhosas de dentro da loja e dizem para si mesmas “Veja só, aqui tenho o manequim das minhas qualidades, e aqui o manequim das minhas virtudes”. Tais pessoas acreditam que são perfeitas. Porém da rua, eu, a sociedade, continuo a ver os dois manequins da mesma forma que via antes, mas dessa vez com um pano preto atrás do manequim dos defeitos, coisa  que só realça-o.

Sendo a sociedade um cliente, tenho direito de criticar e opinar, e é isso que acabo fazendo para o dono da loja. “Veja bem, não gosto do seu manequin da esquerda”. O que a pessoa faz? Responde-me: “Se você está falando mal é por que você tem INVEJA!”
Ótimo, agora a sociedade tem inveja dos defeitos das pessoas que não conseguem admitir suas falhas? A sociedade é um coletivo de idéias, contra apenas a idéia do indivíduo em particular, e mesmo assim o sujeito tem a audácia de dizer-me que sou invejosa? Muito bem, muito bem. A culpa é da sociedade que não está pronta para encarar o “senhor perfeição”.
Amigo, não estou aqui para dizer que não existe inveja, pois a mesma existe sim e está por toda parte. Porém, estou aqui para advertir-te de que se você anda indignado comigo, a sociedade, dizendo que sempre que eu falo mal de você é porque eu tenho inveja, bom, talvez é porque, perdoe-me dizer, você tem defeitos.
– “Ah, mas a sociedade me critica porque não está preparada para mim ainda”- Porra, é muita arrogância da sua parte pensar que a sociedade não está pronta para encarar você, pois é você quem deve encarar a sociedade. O mundo não gira em torno das suas concepções do que é certo e do que é errado. O mundo não precisa se adaptar a você, é você que deve adaptar-se ao mundo.
Veja bem, caro leitor desse meu desabafo, nesses sites de relacionamento como orkut, há diversas comunidades do tipo “Falam mal de mim pq tem inveja” ou “As pessoas morrem de inveja de mim” entre outras… Se você é membro de uma comunidade desse tipo tudo bem, seja feliz pois ninguém será tão feliz quanto você e todos tem inveja disso, óbvio. Agora se  você está pensando em se tornar um deles, antes de fazê-lo siga pelo menos três passos:
1- Certifique-se de que as pessoas realmente se preocupam em falar mal de você, porque, lamento informá-lo, as vezes acontece de você não ser tão importante ao ponto do pessoal acordar de manhã e tomar café pensando no que podem usar como ferramenta de crítica da sua pessoa durante o dia. As vezes as pessoas que você pensa que MOoRREeEM dE InVeeEJAH! de você, na real sequer sabem que você existe ou simplesmente não ligam.
2- Veja bem o naipe dos membros dessas comunidades. Com certeza todos são explendorosamente cheios de qualidades e nenhum deles jamais teria um defeito para você tirar. Se você ousar encontrar algum defeito em um daqueles membros, amigo, você É INVEJOOOSOOOO!
3- Passando com êxito pelos dois primeiros passos, tenha a absoluta certeza de que todas as críticas que você recebeu até hoje são falsas, como aquele comentário a respeito do seu péssimo desempenho na última partida de futebol, ou aquela roupa que você usou e não ficou bem em você daí seus amigos acabaram sendo sinceros na hora que você apareceu e disse “Eae, que tal?” Digo e repito, tenha a absoluta certeza de que tudo que você faz e as pessoas criticam, de fato está correto e as pessoas só falaram por maldade. Se você passar pelo passo três, ótimo, entre na comunidade e peça para ser o dono dela, porque você é meu mais novo ídolo.
Caso você tenha reprovado em um dos três passos (ou nos três), além de não entrar na comunidade do orkut dos “senhores perfeição mal-falados”, pense duas vezes antes de sair por aí dizendo que todas as críticas feitas por mim, a sociedade, são fruto de inveja pura. Eu sempre acabo levando a pior com esse tipo de gente ignorante que não aprendeu a encarar seus defeitos e trabalhar para melhorá-los.
Faça um favor a si mesmo: Arranque o pano preto da frente do seu manequin esquerdo.

sóoquemefaltava

•Julho 10, 2008 • 2 comentários

Necessidade desnecessária. Algumas vezes fazemos coisas sem pensar muito, para saciar uma necessidade não tão urgente de fazê-lo. Não há explicação para isso, pode parecer obra de um momento fragilizado do córtex pré-frontal cerebral, que regula nossa razão. Pode ser que seja por curiosidade de experimentar coisas novas mesclada com a falta do que fazer. Tanto faz, prefiro a versão numero 1 (Hum) supracitada.

A pergunta é: o que leva um cara de 19 anos, morrendo de sono e tendo que acordar cedinho no dia seguinte para ir ao trabalho, criar uma página na internet (tão underground quanto diretor falecido de filme B) para expor seus pensamentos inúteis a respeito das coisas, exatamente às 23:58 da noite de uma quarta-feira? A resposta está no parágrafo acima.

Espero que esse blog… flog… enfim, esse espaço, venha a satisfazer-me momentâneamente dessa minha necessidade de escrever. Escrever não é tão ruim assim. Bom, pelo menos até  o momento nenhum tumor me surgiu, nenhum escorbuto, nenhum sintoma de inanição, hipotermia ou morte súbita.

Dudu, bem-vindo ao mundo dos caras que escvrevem (ou tentam) em páginas da internet, e que você e sua página sejam felizes juntos até que a morte vos separe ou até que o dudu pare de frequentar este espaço e a pobre página fique jogada ao relento pela eternidade.